FERNANDO
BISIGNANI

 

 

 

 

 

 

SOMOS
A
ERA
DO
DESCARTE
HUMANO

 

 

TELAS

2017
150 x 300 cms
Técnica mista: acrílico, látex, crayon, spray

2019
100 x 150 cms
Técnica mixta: acrílico, látex, crayon, aerosol

2017
100 x 150 cms
Técnica mista: acrílico, látex, crayon, spray

2018
150 x 200 cms
Técnica mista: acrílico, látex, crayon, spray

2017
150 x 150 cms
Técnica mista: acrílico, látex, crayon, spray

2020
70 x 70 cms
Técnica mista: acrílico, látex, crayon, spray

STATEMENT

Uma mulher e seu filho recolhem papelão.
Atravessam a cidade empurrando uma carroça.
O artista Fernando Bisignani compra um smart tv.
Leva a caixa que o envolve na porta de sua casa.
Fernando nasceu em Buenos Aires em 1973, tenta escrever um manifesto.
Um statement de artista na terceira pessoa, no presente contínuo.
Precisa enviá-lo para uma galeria interessada em seu trabalho.
Telas de grande formato, papelão, papel.
Abstrações.
Olhe para a mulher e a criança e pensa: somos a era do descarte humano.
O garoto levanta a caixa, a desmonta, a coloca na carroça.
Nota 1 para statement: não existe mais Deus.
Designer, artista visual contemporâneo?
Duvida.
Vender obras de arte, agradar, persuadir.
Em um pedaço de papelão escreve Universidade de Buenos Aires, o corta.
Nota 2 para statement: nenhum curriculum vitae é possível sem mentir.
Olha pela sua janela, não precisa mentir.
Não precisa embelezar o seu trabalho: o cobre, se cobre, o nega, se nega, o risca, se risca.
Parece que cada ação vai por tudo a perder.
É só o tempo que corre.
Statement, nota 3: não há mundo para melhorar.
Existe um primeiro mundo e há uma mulher com seu filho recolhendo papelão.
Procuram na intempérie, como artistas sem nome, algo para comer.
Não compram.
Fernando organiza uma performance em que qualquer um pode participar.
Seu objetivo é hackear a moral da reciclagem por meio de ações artísticas.
Aproximen-se e pintem, convida.
As pessoas se aproximam, a princípio timidamente.
Cada intervenção é fundamental, juntos compõem a obra.
Mergulham no papelão.
O tempo se infla e se desinfla como o único pulmão.
A sala é uma confusão, uma fábrica de coincidências.
As peças são costuradas com arame, nasce uma grande cortina.
Alguém levanta o pincel, uma enorme gota azul explode contra o papelão.
Aos 44 anos, Fernando Bisignani adicionou um @ ao seu nome.
Posta no Instagram.
@ fernando.bisignani caminha, recolhe, captura, escreve.
Nota para statement 4: seu universo é urbano.
Pinta murais, conhece pessoas do bairro, convida-os para pintar, volta de bicicleta.
O garoto dobra a caixa debaixo do braço e corre.
Vai embora.
@ fernando.bisignani sonha que essa criança seja artista.
Escreve uma história em seu nome.
Não quer esquecer seu rosto.
Amarra a história às árvores de uma floresta qualquer.
O vento a sacode.
Conta sua história de invisibilidade no meio do papelão.
Faz calor.
Chove, envia o mail.

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